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Uma nota só



O som entra pela minha janela

E vai tomando conta dos meus sentidos.

São acordes dissonantes do Samba de uma nota só.

 

A batida inconfundível, som requintado

Que mexe e faz balançar o corpo

No fascínio da combinação das notas musicais.

 

E reverberam as cordas mágicas do violão

Dedilhadas com habilidade e harmonia

A expressarem os sentimentos através do som.

Mundo infectado


Mundo infectado

De ações nefastas,

Guerras, opressões,

Violência, preconceitos.

 

E o flagelo internacional

Pânico geral da covid

População infectada

Consequências desastrosas.

 

O perigo se alastra

Avança ligeiro

Golpeia sem dó

Mata. Muitas mortes.

 

Impera a desobediência

Do uso da máscara

O álcool em gel

E do distanciamento.

 

Ouvidos se fecham

E covas se abrem

Para enterros solitários

E de velórios rápidos.

 

A sociedade subestima

Com empáfia desmedida

As autoridades fraquejam

Em momento crucial.  

 

A vacina chega minguada

Causa filas e fura-filas

E a pandemia não cessa

Inferniza a terra.


(15 MAI 21)

Um dia de estrada



O dia nem amanheceu

Já estou na estrada

Para acelerar e vencer distâncias.

 

O sol aparece com apetite

Ilumina o caminho de volta

Para reluzir o dia todo.

 

Quando ele se esconder

Devo estar chegando

Sem cochilos e reclamações.

 

Dirigir na estrada é um regozijo

Desfrutando todos os momentos

Com o Braço firme ao volante.

 

Retas, curvas, sobe, desce

E o barulho do motor

Quebrando o silêncio.

 

A parada é rápida

Reabastecimento de carro e piloto

Para seguirem adiante.

 

Percorrer cada quilômetro

Com antenas ligadas

Para evitar contratempo.

 

A brisa da tarde se manifesta

O sol vai se despedindo

Em mais um dia de vencer distâncias.

 

Um dia de sol e estrada

E da recepção meiga na chegada

A incomparável doçura de seus beijos e abraços.

(Adamar Gomes - 10 MAI 21)

Vai chegar a hora


 
Ainda vai chegar a hora

de botar o pé na estrada.
Para o banho de cachoeira
ou para as ondas serenas da praia.

Ainda vai chegar a hora
De agradecer pelo dom da vida,
com o joelho em terra
na casa da mãe Padroeira.

Ainda vai chegar a hora
de se livrar do vírus assustador;
o flagelo mundial
que isola as pessoas.

Ainda vai chegar a hora...

(2jan21)

Pedalando


Pedalando aqueço corpo e mente.
Renovo pensamentos,
Respiro desejos
De escolhas seguras.

O guidom é meu leme
Para seguir adiante,
Desejoso de trilhar sempre
Um caminho renovado.

No selim sou dono do destino
Para equilibrar as dificuldades e regozijos
Nos instantes de subidas e descidas,
Como nos altos e baixos da vida.

Domingo de sol


Repicam animados os sinos
da igreja dos Reis Magos do Brasil colônia.
Chamam os fieis para as orações de domingo,
no ponto mais elevado de Nova Almeida.

O sol imponente dá o ar de sua graça
reluzindo de forma intensa em toda a praça,
acentuando na natureza matizes de cores,
em harmonia com a candura do templo sagrado.

Lá do alto, o ensejo de admirar toda a paisagem,
cenário de inusitada exuberância,
destacando-se a praia de ondas serenas,
testemunhas de nosso amor.

O sol nos convida


Para a praia o sol nos convida
para usufruir do ar puro e formoso visual.
Um convite ao encantamento de
ondas serenas, sem estardalhaços.

Um privilégio contemplar
essas esplêndidas maravilhas,
lembranças imorredouras
desse fugaz instante de felicidade.

Para arrematar, petiscos e comidas típicas:
peroá, moqueca capixaba, aipim frito
e profusas iguarias apetitosas,
concebidas com esmero incomum.

Versos de amor

Gosto quando escreves versos de amor,
encaixando com doçura cada palavra,
com métrica e rimas perfeitas,
evidenciando um prazer sem fim.

E depois disso, desenvolves a melodia
com acordes inspirados com toque de amor,
para preencher quesitos de fascínio e bom gosto,
evidenciando toda pureza d’alma.

Finalmente, o arremate categórico,
quando soltas a voz em tom maior e compassada,
letra e música numa magia incomparável
para arrebatar todo o meu ser.

Subitamente

Subitamente, ela se foi.
O Reino celestial é agora sua morada.
A glória reservada aos de coração terno e compassivo.

De herança recebeu
a têmpera e destemor do pai "Mugico"
a doçura e paz da mãe Rita

Desde o berço na florida cidade
até o instante derradeiro,
mostrava o sorriso e a bondade infinita no olhar.

Prendada em ofícios vários,
numa incrível versatilidade,
com astúcia e invejável energia.

Companheira leal e ativa
Mãe zelosa, plena de amor.
Mulher de fibra e coragem até nas espinhosas ocasiões.

Madura por completo e de rara lucidez.
De uma juventude eterna
para entender a face de cada tempo.

E eis que:
num alvorecer tristonho
É levada serena aos céus, subitamente.

E agora?
Nas nossas novenas de natal?
Nas festas comemorativas?
E a bacalhoada da semana santa?
E a comidinha caseira?
E os doces elogiados?
E os nossos passeios?
E as nossas conversas?
E o dia das mães?

Ainda assim,
se fisicamente não é possível,
continuaremos a sentir sua presença
em tudo e em todos os nossos dias.

Ela continuará eterna em nossos corações.

(Homenagem à minha mamãe Maria, falecida no dia 30abr19 aos 89 anos)

Promessa



Com o terço na mão
e os joelhos cravados na pedra,
a senhora de muitos anos vividos
cumpria seu desiderato.

Vencia um a um os degraus,
mesmo com as minguadas energias
e dores disseminadas pelo corpo,
alquebrado pelo lavor diário.

Seguia seu calvário
amenizado pela fé inabalável
até aos pés da virgem Mãe,
cumprindo, enfim, sua promessa.

(27jan17)

Ponte estreita



Depois da pradaria, a ponte estreita,
sinal de chegada à Costa do Descobrimento
com seu esplendor em belezas naturais.

Terra de gente afável e receptiva
aos que ali almejam tranquilidade
em inúmeras hospedagens postas à beira-mar.

Um cardápio de praias, das mais visitadas
às que guardam seus arroubos peculiares
em recônditos locais de fascínio e magia.

Nos calçadões, fartas iguarias a atiçar a gula.
Acarajé, bobó de camarão,  mariscada,
moqueca, vatapá, tapioca, cocada...

Versáteis ambulantes com suas redes, chapéus,
alpargatas, saídas de praia, bonés
milho verde, sorvete, picolé, água de coco...

Na igreja, a homilia da multiplicação de pães e peixes
no sotaque característico da região,
na celebração de domingo, atulhada de fieis.

Ao derredor, raros caminhos de
lugares exóticos e estrada de chão batido,
pontes estreitas que exigem perícia de quem se aventura.

Há o Monte imponente, avistado de longe
por ocupantes da caravela em alto mar,
indicando a terra firme de Vera Cruz.

O rio pequeno e emblemático,
que despeja no mar a água doce,
que aplacou a sede de invasores.

Pedacinho sagrado, cantinho de história,
ainda com resquícios de mata atlântica:
bioma admirável de floresta tropical.



Estrela



Chegou ofegante, com o coração combalido.
Contava uma história melancólica
de uma estrela, marcante em sua vida.

No início, o brilho estelar colossal,
um farol a clarear seus caminhos e pensamentos:
Fonte inesgotável de amor e desejos.

Agora, um sentimento pérfido, ruína total
e o vazio fúnebre e descomunal que domina seu peito,
pois sua estrela, outrora viva, tornou-se cadente.



Estrada

Curvas, retas,
pontes, viadutos,
trevos, lombadas.
FICOU a estrada...
Um pouco de mim.

Chuva, sol,
cavas, serras,
rios, matas.
FICOU a paisagem...
Um pouco de mim.

E FICOU você...
TUDO de mim.

(Adamar Gomes

Vestido branco

Ficou na lembrança o  vestido branco
naquele olhar derradeiro e fatal,
que extinguia por completo
nossos momentos efêmeros de magia.

O dia trajava luto, na tarde sombria
de cores taciturnas,
opondo-se à candura de suas vestes
e a imagem de sua beleza.

O desfecho extirpou o regozijo
e os doces beijos frenéticos
fazendo fenecer as promessas
do benquerer.

E assim fica o vazio
das promessas de amor
e a saudade eternal
do vestido branco.


(Adamar Gomes)
Postado em 10/01/16

A Carta

Em locais recônditos procuro
A carta que não enviei.
Busca incessante,
Sem trégua,
Impaciente.

No fundo da gaveta,
Encontro uma carta de baralho,
A de crédito,
A carta do apóstolo Santo,
Até a do Papai Noel.

Nada da bendita missiva,

Que talvez não tenha escrito...

Adamar Gomes
13/12/2015

Outrora

Nem deu para ouvir o seu adeus,
Impedido pelo barulho das ondas
De um mar em fúria,
Numa tarde de amargor.

O mar revolto esbravejou
Dando o tom do rompimento,
Cessando todo amor e fantasia
Vividos com intensidade, outrora.

Adamar Gomes
12-12-2015

Vida

Vida: estrada de percurso indefinido
Caminho de tempo imensurável
De desenlace inesperado.
Definida por escolhas
de amar ou odiar
existir ou perecer.

Ondas serenas

Eis a praia de ondas serenas
que tocam a areia levemente
um beijo envolvente
num encontro amistoso e fraternal.

Ondas que portam mensagens de paz
uma canção de amor excelso
um encanto a nos seduzir
De pureza sem igual...

Jogar no Barça

Bota o pé na chanca
e vai para o campinho de várzea,
para a pelada sagrada de domingo.

Nas feiras da semana e no sábado,
a peleja árdua braçal
para ajudar no feijão de casa.

Na cabeça, delírios e quimeras,
rezas e promessas,
para, num dia, jogar no Barça.

Obs.: Poesia incluída na Coletânea DETALHES (Darda Editora), ainda a ser lançada.

Escrever

Escrever é deixar marca indelével,
De um processo criativo
De conceitos e verdades
Brotados no coração.

Quem escreve:
Eterniza aquele átimo de segundo de
Inspiração.


Adamar Gomes