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Histórias em nomes

Um dia me perguntei sobre a origem do meu nome. E por não ser comum, aguça a curiosidade das pessoas e as deixam atrapalhadas no início. Até que um dia, minha mãe contou-me a história por trás do meu nome.

Ele surgiu de uma mistura de Adão, nome do meu pai e Maria, nome da minha mãe. Três letras iniciais de cada nome, unidas em uma palavra que me define: Adamar. Passei a ouvir de algumas pessoas, outros chamamentos indevidos como, Ademar, Valdemar, Itamar, nomes mais usuais.

Com o tempo, as pessoas mais chegadas acabaram por aprender a lição e não errar mais o meu nome, que sempre me agradou, pois é como se eu carregasse uma parte de pai e mãe comigo.

Afinal, os nomes são uma mistura de tradição e criatividade. Alguns contam histórias de família e amor. Percebi que nomes assim são muito mais do que apenas uma etiqueta. São uma declaração de identidade, uma celebração da herança e da conexão com aqueles que nos precederam.

Pensando bem, meu nome me remete sempre à minha origem e ligação com pessoas que me amam, mesmo hoje no paraíso eterno. Dessa forma, é de se sentir orgulhoso de quem sou e de onde venho.

Um recado para aqueles que, como eu, tem nomes compostos da mesma forma. Podem ter certeza que vocês não estão sozinhos e fazem parte de uma comunidade de pessoas que carregam uma história e uma identidade única.

Começa o Ano Novo (2025)

 


Pelo mundo afora nos deparamos com inúmeras superstições referentes à virada do ano. Por aqui, em terras tupiniquins, não é diferente. A começar pelo espoucar dos fogos de artifício à meia-noite, saudando o novo ano, com direito à contagem regressiva e o brinde com champanhe (para quem pode) ou um espumante, um reserva a altura. De qualquer forma, está valendo o brinde, pois o que interessa é a confraternização entre familiares e amigos.

Mas não para por aí. Dizem que usar roupa branca chama a sorte. Outros acreditam que a roupa amarela atrai riqueza e devemos usá-la na virada. Há quem pegue na tradição das sementes de romã, além da história da nota de dinheiro dentro do sapato, do uso de uma roupa nova e coisas assim. Cada um com a sua mania. Nada contra. O que conta é o pensamento positivo.

O mais importante no meu entender é olharmos para trás e constatar que de uma forma ou de outra, estamos na parada e devemos, por isso mesmo, ser gratos a Deus por tudo que vivenciamos no ano que passou. Afinal, fomos agraciados com momentos bastante agradáveis, no meio familiar, no trabalho, em todos os lugares, no contato com amigos e pessoas em geral. Os amigos de perto e de longe e outros que só conhecemos pelas mídias sociais.

Claro que nem tudo são flores. É próprio da vida. O desapontamento, o inesperado, os fatos desagradáveis que chegam até nós pela mídia, tudo isso faz parte. Para nós, uma tristeza muito grande no ano que terminou: a perda irreparável de um ente querido da família, minha iluminada irmã e comadre, que está na glória de Deus e será lembrada por toda a eternidade. Deixou saudades e exemplos para todos nós.

E agora, começa mais um ano. O Ano Novo provoca nas pessoas o desejo de dias melhores. E neste sentido, os planos são traçados, em busca de felicidade, amor, amizade, dinheiro e tudo aquilo que possa nos trazer tranquilidade. 

É hora de botar os nossos projetos para funcionar. De nada adianta ficarmos de braços cruzados, esperando que tudo aconteça a nosso favor, sem mover uma palha. Vale a pena sonhar, mas sonho sem atitude é inútil, não funciona. Temos que agir e trabalhar duro para colocar em prática tudo o que está no papel. Este é o caminho certo. Sigamos por ele!

E no Dia Mundial da Paz e da Fraternidade Universal, desejamos muita saúde e paz a todos. Reconheçamos as nossas imperfeições e empenhemo-nos para melhorarmos em tudo, sendo justos e verdadeiros, humildes e bondosos, sobretudo com aqueles que mais carecem do nosso carinho e ajuda, como os enfermos, os que passam por toda sorte de dificuldade e os desesperançados.

E que tudo o que foi desejado e ansiado na virada do ano, com o espoucar dos fogos, os brindes, com camisa branca ou amarela, verde ou azul, vermelha ou laranja, não importa, possa virar realidade para você e toda a sua família em 2025.

Adamar Gomes – 1º de janeiro de 2025

O verdadeiro Natal



A celebração do nascimento do Salvador do mundo é o sentido do Natal verdadeiro. É o tempo propício para espalhar amor e generosidade a familiares, amigos e até mesmo aquelas pessoas com quem não temos muita afinidade.

A troca de presentes nos encontros de confraternização, nos transporta à pequena cidade de Belém, à manjedoura da gruta com o Menino Deus, por meio dos Reis Magos, um gesto concreto de amor e humildade, lição para todos aqueles que escolherem
seguir o caminho do bem.

O verdadeiro espírito natalino é a solidariedade. E a magia da noite de Natal torna-se perfeita quando buscamos a paz e a harmonia, deixando de lado todo tipo de iniquidade e diferença para com os nossos irmãos. É, por assim dizer, a noite do perdão.

É hora de festejar:
A esperança que Jesus trouxe ao mundo;
a gratidão pelas nossas conquistas;
o nosso reconhecimento que o principal presente que podemos receber é o amor e amizade uns dos outros e as bênçãos do Senhor, que renasce a cada dia em nossos corações.
A Ele, toda honra e toda a glória!

Feliz e Santo Natal!!! 
25DEZ2024

Metas para o ano novo



Normalmente a virada do ano provoca em nós aquele propósito de desejar que alguma ação concreta possa ser assumida e que se transforme em projeto de mudança de atitude para começar imediatamente no 1º de janeiro, como um novo caminho a ser trilhado.
 
O que se pretende, no geral, é uma forma diferente de encarar a vida, uma mudança de paradigmas, algo como direcionar os nossos anseios em busca de sucesso nesta nova etapa que se inaugura.

Considero esse desejo como uma ação benéfica, pois denota que não andamos satisfeitos com o que estamos entregando, no sentido dos relacionamentos afetivos, cuidados com a saúde física, os pensamentos e o nosso rendimento nas atividades diárias.

Conversando com pessoas, pude constatar que algumas delas conseguem pagar essa “dívida”, pelo menos em parte. A argumentação é que, pela animação da festa da passagem do ano, algumas promessas são postergadas e outras até ignoradas, principalmente aquelas que dizem respeito às dietas para emagrecimento. Muitas caminhadas e até a frequência em academias, que foram imaginadas, ficaram mesmo só no blá-blá-blá da empolgação.

Quanto a mim, as metas estão estabelecidas e, na realidade não são poucas. Do ano que passou, algumas foram abandonadas e outras adiadas para serem colocadas em prática agora. O importante é não parar no tempo e ter coisas para fazer, priorizando o mais importante, sem pressa ou obrigação para fazer tudo, porém estimulando ações para transformar a nossa rotina.     

O importante é vivermos cada momento da vida da melhor maneira possível, espalhando gentileza e sorriso, com paciência e tolerância, para receber gestos de felicidade inesperados.

Estabeleçamos as nossas metas! E Feliz 2023!

Eterno Rei Pelé

 

“O Edson morre, mas Pelé, não”, disse certa vez o Rei durante uma entrevista. E não há o que contestar. Pelé não morre. A sua história está perpetuada e suas conquistas fizeram toda a diferença, junto aos amantes do futebol, não só do Brasil como do mundo inteiro. Tornou-se a figura mais conhecida do Brasil no exterior. O mineiro de Três Corações não foi um simples craque de bola. Era diferenciado, uma habilidade inigualável, tornando fáceis jogadas que para outro atleta seriam complicadas de realizar.

O nome Pelé se tornou sinônimo de tudo aquilo que é bom, que é o melhor. O grande piloto é chamado de “pelé das pistas”. Se é um campeão no boxe, é o “pelé dos ringues”. E por aí, vai.

Como dizia Waldir Amaral, famoso narrador na época, com os seus bordões criativos, Pelé era “o Deus de todos os Estádios”. Outro grande narrador, inesquecível, que marcou espaço com o seu vozeirão, o mineiro de Caxambu, Jorge Cury, que vibrava como ninguém com mais um gol do garoto que encantava multidões.

Falando sobre isso, não tive essa felicidade de narrar um gol de Pelé. Ainda iniciante na carreira de narrador esportivo, as oportunidades não foram muitas para que isso acontecesse. Ainda assim, desde cedo me interessava em acompanhar pelo rádio, inicialmente e depois pela TV, a passagem destacada pelo mundo da bola, desse jogador genial.

Boas lembranças ficaram. O primeiro gol de Pelé com a camisa da Seleção, na Suécia, em 1958, diante de País de Gales é uma delas. A matada de bola no peito, chapeuzinho no adversário e sem deixar a bola tocar na grama, o toque perfeito no cantinho direito do goleiro. Maravilhoso!

O milésimo gol no Maracanã, o toque perfeito no gol mais emblemático marcado de penalidade máxima. Jamais poderia esquecer aquele 19 de novembro de 1969. Pelo radinho de pilha, ouvindo Doalcey Bueno de Camargo, com o seu tradicional “disparooouuuuu..... gooooooooollllll, de Pelé”.  

Para relembrar capítulos da história de Pelé, temos que destacar a Copa de 1970, no México. A Seleção brasileira chegava com moral, apesar de não ter vencido quatro anos antes na Inglaterra, mas já possuía o bicampeonato, conquistando a “Jules Rimet” em 1958 na Suécia e 1962, no Chile. No México, o material humano à disposição de Zagalo era extraordinário. O resultado não poderia ser diferente. Tinha mesmo que ser campeão. Para mim, a melhor seleção brasileira de todos os tempos: Rivelino, Tostão, Gerson, Jairzinho, Clodoaldo e todos aqueles outros craques no mesmo time e, lógico, incluindo a cereja do bolo, o Rei Pelé. Não tinha prá ninguém!

Registro aqui também, o grande dia em que pude, enfim, acompanhar de perto, das arquibancadas, uma partida da Seleção Brasileira, com o eterno Pelé em campo, contra o Atlético Mineiro, em Belo-Horizonte, no Mineirão, Estádio que comemorava os seus quatro anos de existência, em 1969. Lembro-me bem daquele 3 de setembro. Eu e mais 71 mil 532 pessoas, testemunhamos o gol de Pelé, numa noite em que a seleção perdeu por 2x1, mas com gol “dele”, em plena forma, a um ano antes de conquistar o Tricampeonato.

O mundo todo demonstra os sentimentos pela perda de Edson Arantes do Nascimento (23out1940 – 29dez2022) e, ao mesmo tempo, reverencia a trajetória de sucesso, daquele que conseguiu parar uma guerra, tornou o Brasil mais conhecido, inspirou carreiras de outros craques e arrancou aplausos até de torcedores adversários, pelas suas jogadas mirabolantes e gols memoráveis. Este é Pelé: o Rei do futebol!

(Adamar Gomes - 31DEZ2022)


Thor Benfor

             


            Nunca pensei que um dia teria um cachorrinho em casa. Aconteceu. Fomos buscá-lo numa cidade próxima. O shitzu chegou com poucos meses de vida, um presente para o caçula, na festa dos seus sete anos. No seu registro, um pomposo nome, Thor Benfor. Só faltou o CPF. Thor na mitologia nórdica é Deus dos trovões, relâmpagos e tempestades, ironicamente tudo o que o nosso Thor não tolera. É um incômodo só, que o faz baixar o rabinho e iniciar a tremedeira.

    Sabe-se que os cães sofrem muito com barulhos, por possuírem uma audição muito mais aguçada e sensível que a nossa. Pelo menos os foguetes deveriam sofrer um controle maior. Acho que incomoda a todos.

    O Thor é muito esperto e acompanha todos os movimentos das pessoas na casa. Quando alguém se ausenta, ele o espera junto à porta. Se é por muito tempo, como em viagens, ele fica incomodado. E há duas palavrinhas sagradas que ele adora ouvir, “comer” e “passear”.

    A movimentação da língua, abrindo e fechando a boca, é a tradução de “estou com fome, pô”. E quando o convite é para passear, logo fixa o olhar para a guia, como quem diz “vamos lá, tá na hora!”.

    A caminhada faz um bem danado. Melhora a circulação, dá eficiência aos pulmões, a sensação de bem-estar é visível e areja os pensamentos. Eu gosto e ele adora e se diverte bastante, chegando a ensaiar uma corridinha. É tudo de bom.

    É raro ouvir o seu latido. A única vez que faz isso é quando ouve o barulho do portão, indicando que alguém está chegando. Assim que cessa a curiosidade, silencia-se novamente.

    E para dormir não faz cerimônia. É só oferecer-lhe o colchãozinho e o carinha dorme em qualquer canto. Como dizem as meninas do banho e tosa: “ele é muito bonzinho!”.

    Agora, me permitam, porque o rapazinho está cobrando seu lanchinho da noite e não vamos deixá-lo esperando, né!...

Monóculo


             Escarafunchando meus guardados, deparei-me com algumas raridades como o monóculo de fotografia que, não deve ser novidade para os mais maduros. Para os mais jovens, no entanto, cabe uma explicação do que seja essa peça de museu, bem diferente do monóculo de luneta profissional, que será a primeira coisa que você vai localizar na internet. Portanto, favor não confundir alhos com bugalhos.

Em formato cônico, esse nosso monóculo, hoje em desuso, é uma peça de material plástico e possui uma lente de aumento em uma de suas extremidades. No outro lado está fixada a imagem de um filme fotográfico.

Não são raros os casos de fotógrafos que faturavam uma graninha abençoada, sobretudo em locais turísticos, por meio dessas fotos instantâneas de casais enamorados, crianças sapecas, velhinhos bem humorados, que levavam para seus lares, um suvenir para rememorarem os doces momentos daquele passeio.

Nos meus guardados sobraram dois desses monóculos, do tempo em que prestei o serviço militar. No primeiro, de farda engomada, coturno engraxado, cinto polido e quepe bem arrumado, apareço ao lado de dois primos, que também serviram no mesmo ano. E no outro, estou em um desfile, provavelmente de Sete de Setembro, tocando tarol, no comando da fanfarra.

E você? Tem uma recordação em monóculo?

Quem sabe com um belo rosto sorridente, emoldurado com lindas flores!
Ou o nascer do sol em praia de ondas serenas, inspiradoras!
Quem sabe, imagens de florestas, rios, oceanos, montanhas e todas as maravilhas da natureza!
Ou a sua carinha em um dia feliz e abençoado!

Joguei bola sim

            


            De vez em quando me perguntam:

- Você já jogou bola?

- Claro que sim, sem ter sido um craque, mas também não beirando a mediocridade de um caneludo. Já rolei minha bolinha sim!

Bom mesmo foi meu irmão Didi. Era um craque admirável, com talento reconhecido no futebol e só não foi mais longe para jogar em times grandes, porque não quis. Não faltou insistência do meu pai Adão e a força de um mundão de amigos. O cara foi um verdadeiro astro do nosso futebol amador. Jogando na meiuca, possuía o perfeito domínio de bola, tinha visão de jogo para construir jogadas e marcar gol. Fera mesmo.

Eu segui outro caminho, da crônica esportiva, fui trabalhar no rádio e escrever para jornais e sites. A bola era como um passatempo e perfeita como uma atividade recomendável para se manter a forma física. Acho que todo garoto (pelo menos a maioria) gosta de bater uma bolinha.

O período sério mesmo na minha “carreira” foi no infanto-juvenil do Tupi com o mestre Pepedro, responsável pela formação de inúmeros jovens no esporte bretão. Sabia tudo o professor. Era um paizão para nós. Tupi era o alvi-rubro “vingador” da Barão do Rio Branco, na minha cidade. Hoje, infelizmente, não existe mais e, no lugar do Estádio Walmir Gomes da Rocha, ergueu-se a regional da Cemig. Uma pena! Menos uma área de lazer na cidade. Um espaço a menos para os campinhos, que vão sendo ocupados por construções de toda a natureza, com o progresso da cidade.

No Tupi chegamos para ajudar a plantar a grama e jogar com a camisa sete com muita honra, ao lado de garotos bons de bola, alguns que brilharam mais tarde no futebol das gerais. Vida que segue.

Sem compromisso, nas chamadas peladinhas, dei meus chutes pelo time da Rádio, com os colegas, alguns de boa categoria e outros nem tanto, mas jogávamos com alegria. Visitávamos dezenas de comunidades rurais, realizando jogos e fazendo amizade, era o que mais importava. Havia os famosos embates por ocasião do aniversário da emissora, no mês de novembro, quase sempre debaixo de chuva.

Algumas partidas chegaram a ser hilariantes, quando tínhamos pela frente (por exemplo), o time dos Cem Quilos (só jogavam os verdadeiros gigantes acima desse peso) ou contra o time dos Baixinhos. Imagine só a cena! A galera ficava alucinada a cada jogada. Era garantia de espetáculo e de casa cheia.

Nos clubes recreativos, lembro-me bem quando botei uma medalha de ouro no peito como campeão pelo Varejão Central, no Clube Colina, em um torneio interno.

Só não foi melhor, porque voltei prá casa com o dedão da mão direita inchado, por uma bolada que levei, nada que o fisioterapeuta Vicente pudesse dar um jeito. O dedão ficou bom, a medalha dei de presente para a namorada e as chuteiras foram penduradas. Mas o futebol continua comigo, nos programas e nas narrações que faço, com muito prazer. Com muitos gritos de gooooooolllllllllll, bem mais que aqueles que consegui fazer em campo. Muito mais...

Atividade prazerosa

             Desde pequenininho gosto de andar de bicicleta. É algo que se aprende e não se esquece. Pedalar é aquecer corpo e mente e renovar pensamentos. O guidom (ou guidão) é o leme para seguir adiante, com desejo de trilhar sempre um caminho renovado.

A minha primeira bicicleta era uma Hércules simples, que não possuía marchas, mas era forte o bastante, fazendo jus ao seu nome, para aguentar os solavancos e extravagâncias de se andar no barro, na poeira ou em caminhos pedregosos. Foi com ela que conquistei meu primeiro e único prêmio em corridas, um bonito aviãozinho de madeira, numa disputa acirrada com a galerinha da vizinhança.

O percurso de 20 voltas começava na Barão do Rio Branco e percorria todo o quarteirão, fechando na Barão. Um tumulto dos diabos na largada, com os oito animados concorrentes brigando para chegar à primeira curva na frente e só podia dar um bololô com a inevitável queda de dois deles, que ficaram à deriva e entregaram a rapadura, sem maiores problemas, a não ser pequenos arranhões.

Nada que pudesse estragar a festa de uma turma acostumada a esfolar os joelhos e a levar caneladas nas brincadeiras de correr e a prática do futebol na rua e outras peraltices ao ar livre, como a nossa corrida no quarteirão.

Lembro-me que na primeira volta, ocupava o terceiro lugar, com os desafiantes aglomerados, pau a pau. Assumi a ponta no fechamento da 11ª e fiquei todo serelepe ao ouvir o incentivo da galera, enchendo-me de entusiasmo, fazendo acreditar na vitória, que, de fato aconteceu. O aviãozinho ficou guardado por um bom tempo e desapareceu numa dessas mudanças. E a Hércules também se foi para dar lugar a uma Gorick, três marchas, substituída em 1993 pela Sundown, 18 marchas, que me leva até hoje.

Há quem goste de pedalar sem sair de casa nas hergométricas. Tudo bem, cada um tem suas preferências e suas limitações de horários, no corre-corre do dia a dia. Prefiro a forma natural, para curtir a natureza, sentir o vento e usufruir dos inúmeros benefícios oferecidos por uma boa prática esportiva, sob os cuidados médicos, evidentemente.

Transpiramos emoções e organizamos os nossos pensamentos ao pedalar. Encaramos descidas e subidas, como nos altos e baixos da vida e chegamos ao perfeito equilíbrio para dar serenidade e sermos donos do nosso destino.

E assim, na longeva Sundown, na fugaz Gorick e na Hércules que deixou saudade, andar de bicicleta é uma atividade prazerosa.


Caldo, quentão e canjica

        


        Mais um ano sem a festa na casa da Vanildinha, por conta da pandemia. O aniversário dela é em junho, no primeiro dia do inverno. E o cardápio é para ninguém botar defeito: caldo de frango, canjica e o tradicional quentão, que ficaram só na vontade, de novo.

        O caldo de frango é uma especialidade da casa, feito numa generosa panelona e servido com uma colher tamanho gigante, com opção de salsinha, cebolinha e pimenta, para quem os desejar.

        O quentão é uma obra do cunhado e posso garantir que levaria medalha de ouro em qualquer concurso desse tipo, com gengibre e canela, para esquentar o peito numa noite de inverno.

        Depois entra em campo, a inigualável canjica com amendoim, feita com mestria pela irmãzinha, para deixar a galera toda com cara de quero mais e, na torcida, para que no próximo ano, a pandemia seja coisa do passado.

        Houve quem sugerisse o funcionamento do sistema drive-thru, para que o caldo, o quentão e a canjica fossem distribuídos sobejamente, ideia abortada logo no início. Porque, se tudo isso é bom, o mais importante é estar livre do risco do vírus para promover um encontro de família, com abrações e beijinhos e, evidentemente, “vivas” à Vanildinha. E ao caldo, o quentão e a canjica, lógico.

Adamar Gomes - Junho 2021

Narrar uma partida de futebol


       

             
O apito do árbitro determinava fim de jogo naquela tarde de junho de céu azul e temperatura amena. Iniciava-se o trabalho dos repórteres e depois os comentários finais para que fosse encerrada mais uma narração de futebol, a parte mais apaixonante da nossa missão de cronista esportivo, na minha opinião. É claro, que existem outras tarefas prazerosas na profissão, como a de produzir e apresentar programas, acompanhar o dia a dia dos clubes e das competições. Tudo isso é muito bacana, mas nada se compara ao contentamento e os desafios de uma transmissão esportiva.

         Primeiramente pela oportunidade que temos de entrar em contato com pessoas, bater “aquele” papo e responder aos questionamentos de torcedores sobre a situação das equipes litigantes, no desejo de arrancar de nós uma palavra sobre o time favorito, o que esperar da partida, coisas desse tipo.

         Quantas viagens por conta do futebol! A oportunidade de conhecer novas cidades e de retornar a outras que havíamos visitado. Fazer novas amizades, rever velhos companheiros e aumentar os nossos conhecimentos. Viagens dentro do estado, para estados vizinhos com nossa viatura de reportagem, vencendo distâncias e os nossos voos, para compromissos em cidades mais distantes.

         Ainda em livro pretendo contar algumas dessas andanças, incluindo Porto Alegre, Curitiba, Rio de Janeiro, Natal, João Pessoa, São Luis... e tantas outras. Continuemos com o nosso assunto, do prazer de narrar uma partida de futebol. Vamos lá!

         Aos estádios, chegamos bem cedo para a instalação de todo aparato técnico e os testes necessários para garantir uma boa qualidade sonora, primordial para cativar o ouvinte com o seu radinho de pilha e aqueles que acompanham em outras plataformas de mídia existentes. Com a internet, o nosso trabalho chega a qualquer parte do planeja. Que responsabilidade, hem!

         E quando a bola rola, como é gostoso acompanhar e descrever os lances, caprichar em todos os momentos, valorizando cada instante da partida, soltando a voz, colocando a emoção e chegando ao clímax na hora do gol. É o momento mágico do futebol, ainda mais quando é um golaço!

         “Achou... achou... achou o caminho do gol... é bola na rede!”

         Imagine você gritando o “gol” e sentindo a galera tresloucada na arena cheia, soltando o grito contagiante de alegria, mexendo com todos e, dando mais combustível ao narrador para arrematar com toda a força. “É golaaaaaaaaaaço!”. 

(Adamar Gomes - 4 jun 21)

Patos de Minas, 129 anos

             


          Patos de Minas chega aos seus 129 anos neste 24 de maio de 2021. Muitos se enganam ao dizer que são 129 anos de emancipação político-administrativa quando, na realidade esse fato ocorreu em 29 de fevereiro de 1868, quando então o Distrito de Santo Antônio dos Patos tornou-se Vila. O 24 de maio é a data em que a Vila foi elevada à condição de cidade, com o nome de Patos.

         É bom fazermos essa distinção para que não fiquem irritados os nossos historiadores, principalmente o grande e zeloso Professor Antônio de Oliveira Mello, que não suporta ver a história atropelada. A ele os nossos respeitos.

         A história conta que foi lá pelo século 18, que tropeiros que desbravavam o interior do país costumavam se abrigar em torno de uma grande lagoa povoada por patos e, com o passar do tempo, construíam os seus ranchos e depois, casas.

         Em meados do século 19, surgia a primeira fazenda, do casal Antônio da Silva Guerra e Luiza Corrêa de Andrade, que doaram parte de suas terras para a construção da Igreja em homenagem a Santo Antônio, com o surgimento de uma vila em seu redor. O povoado passou a ser conhecido por Santo Antônio da Beira do Rio Paranaíba. Mais tarde, simplificado para Santo Antônio de Patos, ainda como distrito. Silva Guerra e Dona Luiza se transformaram mais tarde em nomes de ruas, que se cruzam no centro, a um quarteirão do bairro do Brasil.

A primeira capela naquelas terras foi construída entre 1831 e 1839, demolida na década de 1960, quando já existia a belíssima Catedral de Santo Antônio, um dos mais exuberantes cartões postais da cidade. Na praça da antiga igreja, foi erguido em 1992, o monumento ao Centenário da cidade, na conhecida praça Dom Eduardo.

         A cidade foi se desenvolvendo. As primeiras edificações formaram um povoado, depois Vila e Cidade em 1892, no dia 24 de maio, com o nome de Patos.

         Em 1943, o governo do Estado, a seu bel-prazer mudou o nome de Patos para Guaratinga, por força de uma lei Estadual. Guaratinga no vocábulo indígena tupi-guarany, significa “garça branca”. Curioso isso, né! Pelo que se conta, os patenses ficaram tão revoltados, que a decisão teve que ser revogada e foi quando a surgiu o nome de Patos de Minas. Segundo os historiadores, o “de Minas” veio para distinguir de Patos, da Paraíba. Só que aqui é “patense”, lá é “patoense”.

         Mas, voltemos à nossa Lagoa dos Patos que deu origem ao nome da cidade. Não se trata da Lagoa Grande, próximo ao Terminal Rodoviário ou da Lagoinha, no bairro do mesmo nome (estas ainda existem). A nossa Lagoa dos Patos não existe mais e foi ocupada por construções. Ela estava localizada no espaço entre as ruas Major Jerônimo e Avenida Paracatu, e ruas João da Rocha Filgueira e Padre Caldeira mais a Teófilo Otoni. Uma baixada que até hoje é sujeita a inundações em tempo de muita chuva.

         Esta é a minha cidade: Patos de Minas. Dos tropeiros que se abrigavam em torno de uma grande lagoa com números patos. Das primeiras habitações à cidade em 1892. Da pujança de seu progresso, da liderança regional, como cidade-polo do Alto-Paranaíba.

         Patos de Minas, nos versos de Ibraim Francisco de Oliveira, na canção interpretada por Celino (meu tio Tonico) e o Chiquito.

         “Às margens do Paranaíba
         Cidade querida
         é Patos de Minas.”

Foguete desgovernado



A lua e as estrelas são fontes de inspiração para quem escreve versos poéticos. Há um fascínio pelo espaço celeste e pela lua, satélite natural do planeta terra, em todas as suas fases. Mesmo para quem não recorre a elas para escrever, não pode deixar de admirar a grandeza de uma lua cheia, uma constelação estelar ou da passagem do cometa Halley, por exemplo.

Nos últimos dias, muito se observou o céu, mas o protagonismo não era da lua ou das estrelas ou mesmo de algum cometa. A mídia deu destaque e atraiu a atenção mundial para o foguete chinês, fora de controle que cairia na terra a qualquer momento. O dito cujo foi lançado no dia 29 de abril e, após gastar todo o seu combustível foi deixado para voar pelo espaço, até ser atraído à gravidade da Terra e cair em algum lugar.

            É bom que se diga que há milhares de objetos, que fazem parte do lixo espacial, frequentando a órbita do planeta e aumentando esse “cemitério”, que provoca colisões, resultando em milhares de fragmentos vagando, a esmo, pelo espaço.

            Estima-se que cerca de 330 milhões de objetos se encontram em órbita e acertam a Terra diariamente, embora sem muito alarde, devido ao seu tamanho. Outros causam perturbação ao nosso sossego, como esse foguetão de 22 toneladas, um dos maiores a atingir a terra.

            Mesmo que se divulgasse que não haveria tanto risco de um objeto desse cair na cabeça de alguém, não há garantia que isso não poderia ocorrer. Por outro lado, não haveria nada a fazer, diante do descontrole do referido artefato.

            E ele caiu...

            Sim. Ele caiu no mar, mais precisamente no Oceano Índico, a oeste das Maldivas, segundo o noticiário.

            Desta vez, sem problemas. Mas é bom lembrar que a órbita terrestre está repleta de centenas de milhares de pedaços de lixo não controlado, com tendência a aumentar, cabendo a quem de direito adotar medidas para colocar regras internacionais mais rígidas.

            E que o protagonismo no firmamento não seja de foguetes descontrolados, mas das inspiradoras Lua e estrelas.

(Adamar Gomes – 9 MAI 21)

A sua bênção, Mamãe!

            



            No domingo, na segunda, na terça... todo dia é dia das mães., merecedoras de todo carinho, afeto, amor, consideração e, principalmente, da nossa presença constante, mesmo depois de desmamados.

            No seio materno, na tenra idade e quando crianças e adolescentes, estamos grudadinhos com a nossa mãe, na barra da saia, tempo integral, consumindo todos os ensinamentos, que nos serão úteis para a vida inteira. É a fase do aprendizado. Época em que temos a oportunidade de, em todos os dias, beijar-lhe a mão e pedir: “Bénção, Mamãe”; e ouvir de volta: “Deus o abençoe, meu filho”. São palavras robustas e que ficam esculpidas em nossa memória infinitamente.

            Isso revela convivência saudável, crença religiosa e principalmente respeito ao próximo, que geram em nós uma intensa satisfação espiritual, preenchendo as nossas necessidades, que serão entendidas com mais clareza, de forma correta, quando estivermos abençoando nossos filhos e netos.

            Mesmo nessa nova etapa da vida, continuemos a dedicar o tempo necessário a quem nos deu à luz e nos criou, para uma boa conversa sobre o assunto que seja. Falar sobre a saúde, os negócios, ouvir rádio, assistir a bom filme ou programa de TV, falar sobre o calor, a chuva, contar causos de antigamente e falar sobre os acontecimentos nesse velho mundo de Deus.

            É o momento de escutar e acolher os conselhos e, logicamente, se fartar com as delícias preparadas por uma autêntica mestra na cozinha, digna de nota dez. Iguarias variadas, salgadas ou doces, com uma mestria incomparável. É a bacalhoada da sexta-feira santa, a sopa de legumes quentinha para os dias mais frios, o famoso bauru caprichado, sem contar o campeoníssimo, “petit carré”, meu doce preferido, que só ela sabia fazer e, por isso, ficará na lembrança eternamente.

            Há pouco mais de dois anos, ela seguiu para a sua nova morada, lá no céu, deixando exemplos formidáveis, de luta e trabalho, de uma mulher guerreira, muita fibra, admirável sabedoria, pensamentos modernos, um anjo bom, de paz, doçura e amor.

            Será sempre lembrada e homenageada, hoje e em todos os instantes. E, como faço em todos os dias, aqui também eu lhe peço solenemente: “Bênção, Mamãe!” e, com certeza, ela responderá: “Deus o abençoe, meu filho!”.

Adamar Gomes (9 MAI 2021)

Jogo das pamonhas



        O Miguel subiu as escadarias da Rádio e desafiou o nosso time de futebol para um amistoso na sua comunidade de Capelinha. Desafio aceito na hora. Vamos lá! Afinal quem não gosta de bater uma bola numa manhã de domingo e confraternizar com os colegas e os carinhosos amigos, que nos ouvem diariamente.

O mais fácil era organizar a lista de “atletas”. Não faltava quem se oferecesse para entrar na lista de relacionados do nosso “esquadrão”, e participar de um futebol sadio, um delicioso momento de praticar esporte e fazer novas amizades. A semana toda foi de expectativa, com os microfones abertos para anunciar a partida, palpites sobre o placar, para esquentar o amistoso.

Enfim, chegou o domingo. Jogadores reunidos e a delegação em alguns carros particulares rumou para a localidade de Capelinha, que não ficava muito distante.

A nossa chegada para o jogo-festa foi mesmo uma festa. Uma recepção prá lá de carinhosa, gente que estava ligada em todos os dias na programação e que não conhecia todos os radialistas, pessoalmente, embora estes locutores estivessem presentes no dia a dia daquelas pessoas, pelas ondas mágicas do rádio.

Estamos falando do rádio de uns bons tempos atrás, ainda sem a internet, ou seja, sem a possibilidade de transmissão por vídeo e em sites que, atualmente mostram todas as informações de uma Emissora, como programação diária, noticiários e até fotos de seus comunicadores. 

Sem esses recursos, cabia ao ouvinte criar em sua mente a imagem do seu locutor preferido, julgando apenas pela voz. É bem curioso isso. Você imagina um tipo de pessoa e ela ali está neste momento, na sua frente, talvez bem diferente daquela que foi desenhada pela imaginação.

- Pensei que você fosse um morenão, bem forte, com esse seu vozeirão!

Dizia uma das moradoras ao nosso ponta-direita Francisco, que realmente possuía uma voz de trovão, mas era tão magrinho, que tinha o apelido de Chiquinho meio-quilo.

- Ô Zé! esqueceu o cabelo em casa????

Brincava outro, ao se dirigir ao nosso lateral-esquerdo José Eustáquio, que esbanjava uma carequinha daquelas, bem marcantes, embora o seu apelido fosse Zé do Cabelo. Vai entender, né!

Depois desse blá-blá-blá pré-jogo, vamos para a peleja, porque o bom mesmo é ver a bola rolando!

Nada disso! Espere aí...

Quando estávamos numa sala de aula de um grupo escolar, que era o nosso vestiário improvisado, iniciando os preparativos, eis que chega o Miguel com as pamonhas. E não eram poucas. Muitas pamonhas, em uma gamela lotada, na verdade um gamelão e aquele cheirinho delicioso, ainda mais a pamonha de doce com queijo, a minha preferida. E aí cabe a pergunta: Quem é que vai pensar em jogo numa hora dessas? É irresistível!

Por mais que se implorasse aos atletas para que não devorassem tanta pamonha assim, antes do jogo, esse pedido não encontraria eco. Naquele instante, a melhor jogada, era a de saborear a bendita pamonha. E olha que sobraram apenas as palhas.

E assim, com o bucho cheio, lá vai o time, pachorrento, pro campo de jogo. E que jogo!!! Dominado amplamente pela equipe local e não era para menos. Não me perguntem pelo placar. Só sei que perdemos feio. Exibição bisonha. Em termos de resultado para nós, a pamonha acabou sendo maldita.

A tática do Miguel, com o agrado das pamonhas, acabou dando resultado, que ele imaginava. E ninguém apelou à justiça desportiva ou comum. Valeu mesmo foi pela confraternização entre vencedores e perdedores, os pamonheiros. Foi uma linda manhã de domingo que vai ser lembrada pela tática infalível do espertinho do Miguel das Pamonhas, apelido que lhe coube perfeitamente ao final de toda essa história.

  

Ano Novo

            



            Estamos no apagar das luzes de 2020, há exatamente um ano depois de descoberto o terrível coronavírus, que chegou espalhando terror pelo mundo afora, tomando as manchetes em todas as mídias e provocando um rebuliço imensurável, obrigando as pessoas a adotarem uma nova rotina, com todo o tipo de precaução para tentar diminuir o máximo possível, a possibilidade do contágio.  

            O ano fica marcado por essa guerra, que fez tombar um número assustador de pessoas, com registros diários de mortos e adoção de medidas para que essa estatística não fosse mais assustadora ainda. “Fique em casa”, “Use a máscara”, “Lave bem as mãos” e outros conselhos foram repassados à população, num apelo desesperado por conta da covid-19 que causou, e ainda causa, estragos que serão sentidos pelos próximos anos, no terreno da economia até a saúde, o bem mais precioso do ser humano.

            Pois bem. Vem aí o 2021!

            É o Ano Novo, que sempre provoca nas pessoas aquela sensação de uma virada nas nossas vidas, a esperança de dias melhores, os anseios de superação de dificuldades, enfim, um sentimento que tudo vai mudar para MELHOR.

            Sabemos que não basta uma virada de ano, uma mudança no calendário para que, como num passe de mágica, tudo se transforme de água para vinho. Para funcionar mesmo é preciso muito mais. Torna-se necessário que cada um aja com atitude positiva para que as transformações sejam alcançadas.

            Queira Deus que tenhamos força suficiente e muita energia para essa ação decisiva, rumo a um mundo melhor, de convivência sadia, de amizade, de amor, de gratidão e humildade e, principalmente, de desejos realizados.

            Feliz 2021! Acredite sempre!


Feliz 2015, sinceramente!

            Feliz 2015!

            Próspero ano novo!

            E por aí vai...

            São algumas das palavras utilizadas na virada do ano, para desejar ao nosso "irmão", bons fluidos no ano que vai nascer. Admitamos que possam ser desejos sinceros, pois apesar de tantas ocorrências que nos levam a desconfiar dos habitantes desse planeta, existem muitos corações abençoados por Deus e capazes de serem verdadeiros nos seus atos e manifestações.

            Desejar o bem ao próximo, com sinceridade, denota muito bem a qualidade da alma desse ser humano. E, com certeza absoluta, essas palavras brotadas lá no âmago, se transformarão em sentenças poderosas, que lhe favorecerão na caminhada na nova etapa da vida.

            Há o outro lado da moeda e temos que admitir também, que muitas das vezes, esses desejos de felicidade para o ano que vai brotar, não são lá muito sinceros e saem como frases repetidas, automatizadas, para seguir o que os outros fazem. Pura formalidade. Nesse caso há o risco da superficialidade, que desde que percebida, vai soar como palavras ocas.

            Então, vamos nessa!

            Feliz 2015!

            Próspero ano novo!

            Com sinceridade,

            Adamar Gomes





Natal e seus contrastes

            Fico observando a alegria das famílias reunidas para celebrarem o Natal. O encontro saudável de gerações,de avós a bisnetos, tetranetos.

            Famílias que rezam ao Altíssimo, em agradecimento por tudo de bom ocorrido em mais um período de vida, as conquistas pessoais, a realização de sonhos, a concretização de projetos e, principalmente, pela saúde, bem inestimável.

            Enfim, um brinde à alegria, numa noite completa com a troca de presentes, comidas e bebidas em abundância.

            Fico observando o outro lado da história, em que constatamos contraste cruel, que mostra  pessoas e famílias marginalizadas,  que não conseguem celebrar a chamada “data maior da cristandade”.

            Faltam-lhes motivação para escancararem  sorrisos e se esbaldarem em regozijo. São irmãos nossos que sofrem por diversos motivos, como o enfrentamento à enfermidades, a perda de um ente querido, a condição financeira debilitada, o isolamento imposto pela própria família ou o seu afastamento deliberado,  enfim,  a marginalização imposta pela sociedade.

            “Então é Natal, e o que você fez?/  O ano termina e nasceu outra vez”. Com esses versos traduzidos do original de John Lennon e Yoko Ono, por Cláudio Rabelo, possamos compreender a importância do agir, dando atenção a essas pessoas desprezadas, e fazendo com que cada ser humano  que se angustia possa crer numa nova empreitada. Para isso, não só no Natal, mas em todos os dias, que cada um apresente o seu apoio inconteste com gestos concretos.

            Como escreveu Franz Kafka, “A solidariedade é o sentimento que melhor expressa o respeito pela dignidade humana”.

            Vamos à prática para fazer o bem, principalmente para nosso coração.

            Adamar Gomes

Esses vizinhos!

Encontrei-me com Dona Zina naquela manhã de sábado comprando o seu pão sovado na padaria do bairro. Reclamava ela de um vizinho que a incomodava muito com o volume alto de seu possante sistema de som automotivo. Era um exagero de decibéis, que provocavam uma zoeira nos ouvidos não só de Dona Zina, mas em todos os moradores do quarteirão inteiro. E prá completar a situação, o folgadão ainda vivia aos berros com a esposa, que parecia mais uma escrava. Era um tal de gritar Vevé prá cá, Vevé prá lá e a Verônica, esse o nome verdadeiro, tinha que dar conta de tudo, em cama-mesa-banho, até engraxar as botinas do brutamontes. A Vevé era uma Amélia prá valer.

Concordei com Dona Zina, em sua reclamação, justa e razoável. Acho que todos deveriam se comportar com civilidade e respeito. Liberdade é uma coisa e libertinagem é outra bem diferente.

Com a Orozina, esse o seu nome de batismo, estava a Sofia, um mulherão prá lá de 1,90 m, tipo jogadora de basquete, mas que não praticava absolutamente nada em matéria de esporte, a não ser levantando de copos, já que não deixava de lado a sua cervejinha. Com a sua voz rouca e na sua meia idade, tal qual sua amiga, não economizava palavras prá reclamar de um outro vizinho, que fazia das suas.

O calvário de Sofia era o Pedro com o seu cachorro, ambos animais indóceis. O quadrúpele não podia ouvir uma cantiga de pernilongo sequer, que abria a bocarra num latino sem fim. De madrugada, então, é que o bicho pegava. Aquele rosnado percorria o bairro inteiro, disposto a não deixar ninguém sossegado. O bicho era mesmo uma fera e o seu latido era digno de medalha de ouro em qualquer olimpíada.

Como se vê, a padaria estava pequena para tanto pão e casos de vizinhos problemáticos.

Até a balconista da padaria, uma lourinha com o sorriso bonito e esmalte vermelho nas unhas, entrou no papo para contar a sua parte, enquanto tratava de empacotar o sovado de Dona Zina. O personagem dela era um estudante, que acordava de madrugada para aprender fórmulas matemáticas e, repetia em voz alta e estridente para deixar gravado na memória, inclusive a dela: “a hipotenusa é igual a soma dos quadrados dos catetos...”. Ela só não soube se o secundarista aprendeu a lição. Quanto a parte que lhe tocava, já estava adiantada na matéria e atrasada no sono.

Depois de pegar os pães de milho, pensei em contar a minha história, mas diante de tantas concorrentes ao Oscar, não me atrevi. Já havia ouvido casos piores como o machismo do marido da Vevé, com o seu exagerado som automotivo, excedendo decibéis e os berros desmedidos para a companheira. E o cachorrão, aquele do Pedro e mais o estudante da hipotenusa. Bem, todos, com certeza, mais destacados que os meus personagens, que não dormiam de sexta para sábado, varando toda a madrugada ouvindo música e tentando acompanhar, cantando, mas de forma desafinada e arrítmica, num vozerio indesejável até o sol raiar.

Agora é torcer para que, pelo menos afinados, eles possam entrar no ritmo e proporcionar uma serenata de fim de semana. Quem sabe!!!

Sorriso metálico

O ortodontista decretou que eu iria usar aparelho. Inopinadamente disse não. Como? Colocar aquelas pecinhas na boca, abster-se de algumas delícias comestíveis? É isso mesmo e não é só. A rotina diária acolhe necessariamente algumas alterações importantes, como um tempo maior dedicado à higienização bucal e a obediência vital para que o tratamento produza seus resultados esperados.

A modificação estética torna-se um ingrediente a mais nas conversas com os amigos, principalmente os que já passaram ou estão vivenciando a mesma situação.

Numa simples observação, não havia como não dar razão ao Doutor. A situação dos meus incisivos, caninos, pré-molares e molares estava de mal a pior. Parecia um time lutando contra o rebaixamento (prá série D). Uma equipe mambembe, com deformidades em todas as suas posições, os caninos das alas, os incisivos da dianteira e os demais lá na retaguarda, cada um com funções específicas na mastigação.

É um grupo que deveria apresentar um bom rendimento, dentro de seu campo de atuação e, evidente, nas suas funções estéticas e de auxílio à fonação, juntamente com a língua. Isso eu li naqueles dias em que juntava o maior número de informações que pudessem ajudar na decisão sobre a validade ou não de usar o tal aparelho.

Na verdade, relutei até o último round com unhas e dentes, como os meus, sem dúvida, os mais desalinhados que caminhão com o parafuso de centro quebrado.
O ortodontista não tinha qualquer dúvida. Afeito a essas coisas, era sabedor que não haveria um outro caminho que não esse, de se colocar aquelas pecinhas metalizadas, atualmente tão normais. Eram raridades nos meus tempos de mocidade.

Achava que tendo eu atravessado o cabo da boa esperança não precisaria dessas modernidades, mesmo sabendo que são inovações que vieram para todos, de qualquer idade ou outra convenção social qualquer. Para derrubar essa premissa o Profissional tinha a resposta na ponta da língua – “uma senhora com 15 anos a mais que você, usa”.

Prá resumir: resolvi tirar a prova dos nove, dando início ao processo com as tais radiografias e a investigação cuidadosa que pudessem mostrar o estado atual da arcada dentária. O resultado mostrou aquilo que se apregoava: o esquadrão dentário requeria cuidados especiais, uma recauchutagem.

Minha avó sempre dizia que é preciso ter muita calma com todas as coisas. Concordo. Dalai Lama escreveu que, aquele que possui dentro de si uma grande reserva de paciência e tolerância, tem um certo grau de tranqüilidade e calma em sua vida. Que tudo isso possa estar presente no meu sorriso – metálico.


Adamar Gomes (novembro 2011)